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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

crónica do interruptor

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Aprendi a circular de uma sala para a outra do quotidiano fechando a porta à saída.
Quando estou no trabalho, só penso no trabalho, não "espreito" o Instagram, o Sapo. Estou lá totalmente.
Se entro no tempo da família ou da vida social, não vou ao mail do trabalho, nem penso nele.
 
Não fui sempre assim. Algures no tempo trabalhei em casa e tive filhos pequenos, e os meus dias eram uma tremenda salganhada. Um pouco como se devem agora sentir os pais em teletrabalho com a criançada à volta. Ui!
Também passei a fase de não me conseguir desligar do trabalho. Era terrível, as insónias e ansiedade sempre à espreita.
 
Depois, aprendi a ter interruptores que me desliguem do que não quero no momento.
Ando pelo Instagram, por onde sei do que se passa no meu concelho, de espetáculos e eventos on-line... redescobri-o na pandemia.
Há um ano vim para aqui à Sapolândia, onde gosto do ritmo pausado que lhe posso imprimir.
Tenho a minha lista de leitura, espreito os últimos posts, fico pelos textos que gosto. E quando tenho vontade deixo as minhas impressões, respondo às dos outros. Mas não por obrigação, que já tenho muitas... só por diversão. É um interruptor para desligar de outras salas, o Sapo.
 
Entre outros interruptores estão as miniaturas (adoro casas de bonecas), artes têxteis, investigação, autossuficiência, fotografia, leitura, escrita... e a pintura, que hoje ilustra a minha crónica do interruptor!
Na minha vida, ligar e desligar foi uma aprendizagem demorada. Mas valeu a pena...
 
 
 

"ideias para adiar o fim do mundo"

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Ideias para adiar o fim do mundo é uma obra que resulta de duas conferências e uma entrevista decorridas em Portugal, entre 2017 e 2019.
Ailton Krenak, pensador indígena, reflete sobre as questões que estiveram na base da colonização, como o facto de que “havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida”.
 
Não partilhando de todas as visões do autor, levantaram-se-me algumas questões... incluindo a da abordagem de diferentes culturas que deve ser, ainda, posta na mesa.
De facto há movimentos missionários em países como os EUA que insistem em "levar a palavra de Deus" a locais remotos.
Além do perigo que representa para a saúde desses povos a exposição a doenças para as quais não têm defesas, acresce a contínua arrogância de ser o arauto da Luz e da Verdade
 
Também uma obra importante para refletir, numa altura em que se torna comum julgar práticas de 100, 500 anos segundo os valores atuais, o que carece de qualquer sentido de perspectiva histórica.
 
E favorece ainda outra reflexão, que é a da pouca importância atribuída pela sociedade às artes e humanidades.
Aqui, a culpa não é apenas do ministério da educação, mas começa na casa de cada um. Cada pai, com o seu filho.
Cada pessoa completamente alheia à importância do conhecimento da história para contextualizar as realidades atuais. Basta recordar como Hitler subiu ao poder, numa sociedade humilhada, cansada e em crise.
Cada pessoa que fala em "criatividade" sem ter presente que esta é trabalhada na metodologia de projeto em disciplinas artísticas como Educação Visual, de que só veem o produto final.
Seguimos rumo a uma sociedade de "fazedores", "técnicos", de preferência ignorantes das suas referências, para lhes podermos manipular a identidade, e alheios à arte e à cultura, sempre ligadas à análise e intervenção social. Que também não interessam.
 
E como as conversas são como as cerejas, termino com mais uma ideia para adiar o fim do mundo: todas as pessoas que querem comprar um livro, que o façam a livrarias independentes, on-line. Merecem e precisam.
 
 
 

projeto 365 dias de bordado

 

Ontem comecei o meu projeto "365 dias de bordado". Todos os dias bordarei, nem que seja uma linha minúscula a ponto alinhavo.

Tentarei, porque n'alguns chegarei em modo de me atirar para a cama!😄 Mas não são muitos, que duvido ter chance de noitadas tão cedo.
 
A circunferência a preencher foi divida em 12 partes, correspondendo aos meses do ano. Espero que pelo meio possa bordar saúde e aviões! 
 
Adoro estes projetos 365 dias, são divertidos e um desafio! Mas o que gosto mais é ver como mudaram os meus humores pela própria escolha das cores, a densidade... é muito giro. Um luxo a que me comecei a dar depois dos filhos crescidos e ser dona do meu tempo!
 
Acabo por ter hábitos que substituem outros, como a tv. Edito uma foto, todos os dias desenho no diário gráfico, para não "perder a mão", todos os dias escrevo uma linha. Estes projetos acabam por se encaixar nas minhas rotinas.
 
De vez em quando virei mostrar o progresso🙂
Hoje dou mais um avanço, que ainda é dia de mantinha e de eggnog!
 
Ninguém por aí tem projetos 365 dias? :)