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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, poesia, leituras e agenda de imperdíveis por aí | nada disto é biográfico, que não sou mais que um instante no mesmo pensamento.

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, poesia, leituras e agenda de imperdíveis por aí | nada disto é biográfico, que não sou mais que um instante no mesmo pensamento.

os dias dos outros

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Dias seguidos por dias. No mesmo casulo fechado ao frio, fechado aos outros.
Começam a intrometer-se nos pensamentos os sons alheios, antes ignorados por um cérebro em contínua laboração.
 
Fico a saber que há por aqui uma janela perra, só abre depois de um safanão.
Deve ser de um quarto, é sempre aberta de manhã, pela mesma hora e fecha-se pouco depois, com outro ruído seco. Hum. Soa-me a arejamento.
No sexto direito, mas não garanto, que tenho pouco ouvido.
 
Alguém fuma muito, e dentro de casa. O cheio sobe pela ventilação, invade a casa de banho.
Deve ser a vizinha do primeiro andar, que vive sozinha e nestes anos nunca largou um "bom dia" ou um sorriso.
 
Nunca vi a vizinha do terceiro. Tem uma empregada interna com uma farda verde e azul turquesa.
Que tem medo de andar de elevador, sobe as escadas carregada de compras.
Nunca vi a vizinha, mas deve ser uma pessoa alegre. Ninguém sorumbático escolheria aquelas cores para uma vestimenta.
 
E na apropriação dos dias dos outros, vou ocupando os meus próprios dias...
 
 

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