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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, & leituras

livros e memória

Os livros que estão há muito connosco, têm o dobro das estórias para contar.
As folhas abrem-se e, junto à sua história, correm as nossas próprias narrativas que lá se foram aconchegando no tempo.
 
A memória de mudar de mãos. O bilhete que foi deixado a marcar a página. Os grãos de areia daquele Verão em que nos acompanhou nas manhãs de praia.
Ou, como neste livro, o momento exato em que alguém querido nos abriu um mundo novo.
 
Volto, por vezes, à casa dos meus pais. Pouco a pouco, ganha-se coragem para entrar mais fundo num passado que ainda me sabe bem estagnado, quieto. Por vezes, até cedo à tristeza e trago um livro.
 
Esta obra foi o meu primeiro contacto com Sena, escritor e homem de palavra arguta... foi um livro que abalou o que até então era poesia para mim.
O meu pai começou por, pequena, me entregar as "Folhas Caídas" de Almeida Garret, a obra de Sophia e a Praça da Canção, de Manuel Alegre.
Um dia, achou que chegava de versos de rimas e ritmos que se liam como se sucedem as estações do ano e entrega-me a Sena. E abriu-se um mundo de possibilidades na poesia até então desconhecidas e o universo era, afinal, bem maior que aquilo que eu via.
 
Fiz tabula rasa do até então e escrever começou de novo, como se novo, e era novo.
 
 

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