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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

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"ideias para adiar o fim do mundo"

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Ideias para adiar o fim do mundo é uma obra que resulta de duas conferências e uma entrevista decorridas em Portugal, entre 2017 e 2019.
Ailton Krenak, pensador indígena, reflete sobre as questões que estiveram na base da colonização, como o facto de que “havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida”.
 
Não partilhando de todas as visões do autor, levantaram-se-me algumas questões... incluindo a da abordagem de diferentes culturas que deve ser, ainda, posta na mesa.
De facto há movimentos missionários em países como os EUA que insistem em "levar a palavra de Deus" a locais remotos.
Além do perigo que representa para a saúde desses povos a exposição a doenças para as quais não têm defesas, acresce a contínua arrogância de ser o arauto da Luz e da Verdade
 
Também uma obra importante para refletir, numa altura em que se torna comum julgar práticas de 100, 500 anos segundo os valores atuais, o que carece de qualquer sentido de perspectiva histórica.
 
E favorece ainda outra reflexão, que é a da pouca importância atribuída pela sociedade às artes e humanidades.
Aqui, a culpa não é apenas do ministério da educação, mas começa na casa de cada um. Cada pai, com o seu filho.
Cada pessoa completamente alheia à importância do conhecimento da história para contextualizar as realidades atuais. Basta recordar como Hitler subiu ao poder, numa sociedade humilhada, cansada e em crise.
Cada pessoa que fala em "criatividade" sem ter presente que esta é trabalhada na metodologia de projeto em disciplinas artísticas como Educação Visual, de que só veem o produto final.
Seguimos rumo a uma sociedade de "fazedores", "técnicos", de preferência ignorantes das suas referências, para lhes podermos manipular a identidade, e alheios à arte e à cultura, sempre ligadas à análise e intervenção social. Que também não interessam.
 
E como as conversas são como as cerejas, termino com mais uma ideia para adiar o fim do mundo: todas as pessoas que querem comprar um livro, que o façam a livrarias independentes, on-line. Merecem e precisam.
 
 
 

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