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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

Crónicas do Chão Salgado

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férias do mundo

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Os resultados eleitorais demonstram o fraco conhecimento que se tem da história, o poder do voto do ódio e a polarização crescente que toma conta do mundo.
 
Há alturas em que sentimos que não fazemos parte desta sociedade  porque estamos sós, porque não nos enquadramos e vivemos em perpétuo fingimento, porque achamos que ninguém nos quer ouvir.
 
Já passei por todas essas fases, como qualquer ser pensante.
Mas neste momento, o mundo cada vez me repugna mais.
E se lamento ter lançado a ele seres humanos que terão que chafurdar nesta merda, resta-me o consolo de terem as qualidades para o tornar um pouco melhor.
Seres humanos compassivos, que não descriminam o outro pela religião, etnia ou escolha sexual.
Seres que não acreditam na meritocracia e que assumem o seu papel contribuindo para ajudar os que têm menos oportunidades e recursos.
 
Neste momento até agradeço o confinamento.
Vou para casa. Já que me colocaram de férias... é do mundo que desprezo que tiro férias também.

Vou pintar, escrever, falar com os pássaros.
Avisá-los quando se aproxima o milhafre que por lá anda.
 
Ver a terra que dorme, a ganhar forças para a Primavera.
 
 
 
 
 

2 comentários

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    concha 26.01.2021

    Sem doentes, que seria dos médicos? Sem leis, que seria dos advogados?
    Determinamos as nossas profissões em função da organização das sociedades... e dependemos uns dos outros.
    Mas não concordo que a escola falhe na cidadania, tem até um papel determinante, substituindo-se a contextos familiares onde não existe qualquer informação.
    Mas não pode influenciar as situações em que famílias constroem o seu modo de estar no mundo baseando-se em valores tão diferentes. Há os conservadores, os xenófobos, os revolucionários, os de esquerda... a escola mostra, até em disciplinas como a que dou este ano (História da Cultura e das Artes) o que aconteceu... posso não permitir que um aluno me diga que os emigrantes deviam ir todos para "a terra deles". Posso explicar-lhe o que tem sido a emigração para os portugueses... mas nao posso alterar-lhe convicçōes formadas pelo meio em que vive, e que faz dos emigrantes o bode expiatório dos seus desaires.
    E há convicções políticas que não podem ser discutidas na escola: a validade do estado social, por exemplo. Eu, como mãe, nunca permitiria que um professor dissesse a um filho meu que nao devem existir subsídios, por exemplo.
    No Ribatejo, onde cresci, muita gente votou no AV porque defende as touradas, por ex,
    Mas na sua maioria, este foi um voto contra o Status Quo. Por pessoas que nem conhecem o programa eleitoral- e a escola também nao se pode debruçar sobre isso.
    Quanto aos sindicatos, é um assunto diferente... mas muito me têm ajudado, pago as minhas cotas com prazer.
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