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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

da crónica, do memoir e do arquivar das palavras

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A crónica é, a par da poesia, o que mais prazer me dá escrever nos últimos tempos.
Por impaciência, cansaço mental ou apenas pouco tempo disponível, gosto de textos curtos. Agrada-me escrever num repente, na força do impulso. Normalmente pela madrugada, corresponda esta à hora a que me deito ou acordo.
 
Mais tarde, volto a alguns desses escritos e, se me agradam, retomo-os. Limo, desbasto, completo. E arquivo-os em blogs de textos finais: um para poesia e outro para crónicas.
Escolhi organizar o que escrevo assim, em blogs, porque o meu sentido estético se satisfaz muito mais neste formato que num ficheiro word deitado a uma qualquer nuvem! Fixá-los em papel, no computador ou disco externo são opções que me levaram a perder tudo o que fiz até cerca de 2015... Uma lição aprendida e uma longa história.
 
Mas voltando à crónica, encontro nela uma plasticidade que se molda ao que exige sair de mim no momento. A crónica é um relato de vida e pode ou não colar-se à vivência pessoal do autor. Em caso afirmativo entramos no campo da crónica pessoal, do memoir, o registo intimista de uma página de diário.
Sou, por temperamento e formação, uma observadora de lugares, de gentes. E fascinam-me as emoções, das tenebrosas às mais leves. É esta a base das minhas realizações como, neste caso, a escrita.
 
A crónica dá a liberdade de olhar, ver, mas simultaneamente viajar dentro de nós próprios... e criar, ficcionar.
Umas das cronistas que aconpanho, a Claudia Lucas Chéu, deixou há poucos dias um texto que ilustra muito do que é a crónica e a forma como, por vezes, chega a quem a lê:
"Acontece, às vezes, os leitores e as leitoras terem dificuldade em distinguir; basta que os textos estejam na primeira pessoa e que pareçam verosímeis, dada a biografia pública, e logo concluem estar perante uma confidência. Se lessem com atenção saberiam que não era possível eu ser anorética e enfarta-brutos, estudante de economia e médica, lésbica e devoradora de cavalheiros, algo pudica e bastante puta, entre muitas outras disparidades, tudo em simultâneo".
 
E é esta a liberdade que a crónica permite! Boa escrita. 
 
 
fotografia: as palavras que se deixam por aí.

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