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Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

Crónicas do Chão Salgado

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Sonnet 43 from the Portuguese dito por Judi Dench | dia mundial da poesia

Elisabeth Barret Browning escreveu Sonnets from the Portuguese nos primeiros tempos de enamoramento com o que, após alguns reveses e um casamento secreto, se tornaria seu marido, Robert Browning. A obra foi publicada em 1850, mas o arrojo apaixonado de alguns poemas levou Elisabeth a apresentar a obra como uma tradução de poemas portugueses. 
Há diversas explicações para escolha do título mas "My little portuguese" ser o petit nom que o marido lhe dava é o mais provável. Robert apelidava assim Elisabeth pela sua tez morena, que achava semelhante à portuguesa.
 

 

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Elizabeth Barret Browning (Licença Creative Commons)

 
Judi Dench cresceu ouvindo o seu pai a recitar  e ela própria é uma extraordinária diseuse e amante de poesia, além da atriz que conhecemos tão bem. A cena do filme Skyfall, em que Judi recita o final de Ulisses, de Tennyson... é linda!
A atriz diz memorizar um poema por dia de forma a manter um cérebo ativo e uma mente jovem, o que me parece excelente e agradável receita.
Reunem-se no vídeo estas duas mulheres fantásticas, através da leitura de um dos mais conhecidos
poemas de Elisabeth Browning, o soneto 43 de Sonnets from the Portuguese, que aqui fica também por escrito.
 

 

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.
I love thee to the level of every day’s
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right;
I love thee purely, as they turn from praise.
I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood’s faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death.
 
 
 

a rosa rosa


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É um rasgão na tarde ainda fria

e dizem-me que é Primavera.

 

Sei que primeiro veio a surpresa,

depois a avidez,

depois a mão lançada

e um espinho, a carne aberta...

 

É Primavera!

Diz a voz da mãe,

alheada da minha mão sangrante,

na euforia de uma rosa

da cor que compete às rosas.

 

E décadas passadas,

vejo como tudo está certo:

a Primavera com maiúscula,

a alegria da mãe e a rosa rosa

 

 

Fotografia: uma rosa rosa, como a mãe diz que devem ser...

texto para o desafio da caixa dos lápis de cor https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/438209.html

 

 

 

azul-luz de Alentejo

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Um azul-luz que é cor de estar-em-fundo
do Alentejo amarelo-roxo de Primavera.

O abraço encarnado das papoilas em manto.
 
Um azul que se perde e faz de saudade
daquela Calípole que me corre no sangue.
 
Da voz da minha mãe nas saias que canto.
 
 
 
Fotografia: Juromenha, ao céu e ao Guadiana
texto para a cor azul claro do desafio da caixa de lápis de cor
 
 
 

laranja

Laranja, para o desafio da caixa dos lápis de cor8A90AFF9-3A8F-4252-A847-428C680D08F6.jpeg

 

Um mundo redondo a explodir de Verão.
 
Os dias descascados com as mãos,
revelando-se devagar, em cada gesto onde se coloca todo o ser, atento e entregue.
 
Um tempo de viver os dias gomo a gomo
Ali, encerrados na pele quase transparente, e ficar-lhe a adivinhar o doce ou amargo.
 
O apetecer trincar cada hora e sentir o sumo do riso correr pelos canto da boca.
 
O lançar as sementes à terra.
E uma semente já é, por si, uma metáfora tão poderosa que não é preciso dizer mais nada.
 
É só preciso comer a laranja.
Não esquecer de comer a laranja...
 
 


amor barroco | azul cobalto

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E este é o texto criado para o desafio da caixa dos lápis de cor , hoje com o azul cobalto.


Amor Barroco

Uma tarde dum tempo
em que pelas paredes,
corriam histórias a branco 
e azul cobalto.
Como correram as tuas costas suadas,
quando nessa tarde te tomei
de assalto.
 
E foste, nessa hora excessiva,
o meu ouro sobre azul, a minha recompensa.
Vontades esculpidas em talha dourada,
tontura de incenso...
Minha falta de fé roçando
uma crença.

 

Fotografia: painel de azulejos brancos pintados a azul cobalto, séc. XVIII. 
Atribuídos. a Bartolomeu Antunes, pintor de azulejos 




 

poetar | verde

 

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A cor das nossas tardes não se fixa na memória.
É mistério, é noite adentro. É madrugada,
musgo em pedra e um "reza a história"...
 
Os tons que nos recebem em rituais in (contra?) natura.
É magia, silêncio e grito. É verde-Sintra,
verde-mata, verde-loucura!
 
...

e é este o meu verde-escuro do desafio  da caixa dos lápis de cor...

Fotografia: serra de Sintra, 2021