Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

Crónicas do Chão Salgado

resistir e criar, por mais que nos salguem o chão dos dias | crónicas, memoirs, leituras e imperdíveis por aí

laranja

Laranja, para o desafio da caixa dos lápis de cor8A90AFF9-3A8F-4252-A847-428C680D08F6.jpeg

 

Um mundo redondo a explodir de Verão.
 
Os dias descascados com as mãos,
revelando-se devagar, em cada gesto onde se coloca todo o ser, atento e entregue.
 
Um tempo de viver os dias gomo a gomo
Ali, encerrados na pele quase transparente, e ficar-lhe a adivinhar o doce ou amargo.
 
O apetecer trincar cada hora e sentir o sumo do riso correr pelos canto da boca.
 
O lançar as sementes à terra.
E uma semente já é, por si, uma metáfora tão poderosa que não é preciso dizer mais nada.
 
É só preciso comer a laranja.
Não esquecer de comer a laranja...
 
 


amor barroco | azul cobalto

painel.jpg

E este é o texto criado para o desafio da caixa dos lápis de cor , hoje com o azul cobalto.


Amor Barroco

Uma tarde dum tempo
em que pelas paredes,
corriam histórias a branco 
e azul cobalto.
Como correram as tuas costas suadas,
quando nessa tarde te tomei
de assalto.
 
E foste, nessa hora excessiva,
o meu ouro sobre azul, a minha recompensa.
Vontades esculpidas em talha dourada,
tontura de incenso...
Minha falta de fé roçando
uma crença.

 

Fotografia: painel de azulejos brancos pintados a azul cobalto, séc. XVIII. 
Atribuídos. a Bartolomeu Antunes, pintor de azulejos 




 

poetar | verde

 

06EB85B1-2C6F-4430-B8CD-1D22991CF61A.jpeg

A cor das nossas tardes não se fixa na memória.
É mistério, é noite adentro. É madrugada,
musgo em pedra e um "reza a história"...
 
Os tons que nos recebem em rituais in (contra?) natura.
É magia, silêncio e grito. É verde-Sintra,
verde-mata, verde-loucura!
 
...

e é este o meu verde-escuro do desafio  da caixa dos lápis de cor...

Fotografia: serra de Sintra, 2021

 

 

 

 

desafio caixa dos lápis de cor | castanho

A4FFC466-F348-48EC-8917-F3C7495313F5.jpeg

A segunda cor do Desafio Caixa dos Lápis de Cor é o castanho.
Lembrei-me logo de uma antiga colega que abria o braço num gesto largo e dizia "...os castanhos" quando se referia a todas as cores neutras. Um hábito da velha escola. 
Não me saiu esta imagem da cabeça, tinha que ser esta a forma como o castanho surgiria na minha narrativa... e aqui está ela: 


Sem pensar, começou a colocar a tinta na paleta. Espalhou-a em volta, guardando o centro para os neutros.
"Que é isto", interrogou-se...
 
E conforme olhava aquelas cores abertas, impressionistas, tão longe dos seus esboços, percebeu que não eram mais que o desejo que tinha de alegria, de vida.
 
Olhou o tubo de castanho. Apertou-o e caiu um pouco ali, a meio da paleta.
 
Pegou no pincel e arrastou-o para cima do vermelho. Depois, do amarelo. Do verde, do azul...
E ficou ali, tirando a luz das cores, uma a uma. 
Até acabar numa mancha de sombra.
 
Naquela paleta viu a sua existência.
Os castanhos que entravam pelo vermelho da sua paixão, invadiam o amarelo da alegria, emudeciam o azul dos  sonhos... e convertiam os seus dias num tom indefinido de sombra.
 
Viu cada uma das mãos que a cercava, sufocava, jorrando castanho para as cores das suas emoções e sentires.
 
E ali, decidiu tomar nos braços a paleta da sua vida. E não permitir que qualquer cor nas mãos dos outros invadisse as tons que escolhia para pintar os seus dias...

 


foto: na falta de uma paleta aqui à mão... a minha caixa de aguarelas preferida 

desafio | caixa de lápis de cor

EB5E3E6F-05F0-43DB-A523-098C98BF99E5.jpeg

Inspirado pelas caixinhas de lápis Viarco, é aqui que encontram o desafio "vamos pintar com palavras", lançado pela Fátima.
Ora, para começar, o azul... 
 

Azul, céu lançado ao mar.
 
Azul. Das águas salgadas onde o sol bate
e me promete que sim, este vai ser um dia de luz.
 
Azul, onde os olhos correm quando o dia abre,
e onde ganho balanço para o que vier.
 
Azuis, por isso, as minhas manhãs
e azul a minha força de enfrentar cada dia.
Mesmo quando nasce cinzento...